Inexorável

Nossa! esse artigo é horroroso... não dá para concordar com os argumentos. Porque parte do um pressuposto "de que por trás de tudo isso há, na verdade, uma guerra entre dois sistemas econômicos de exploração de conteúdos e que, nessa disputa, os autores estão sendo ameaçados de desapropriação" E não é sobre isso que a idéia de copyleft tem a ver. Estamos falando de inovação, de remix, de experimentos, de piração.. Estamos produzindo para a colaboração.

Por outro lado, eu também não acredito nas idiossincrasias do Stallman. Ele é importante quando pensamos nas liberdades. Ele tem uma maneira de pensar que não me toca tanto. Pensar que obras artísticas devam ser tratadas diferentes do que os softwares parece óbvio. Coisas diferentes devem ser tratadas de formas diferentes. Isso é diversidade, multiplicicidade. Não se tem liberdade sem pensar nisso. Eu me recuso a concordar com o falso problema entre o GNU e o Linux. Em tempos de colaboração a gestão das marcas são estratégias das pessoas comuns.

Do ponto de vista de uma sociedade em rede, o creative commons responde por uma tentativa de flexibilizar a conversa. Mas não dá conta. Pois, os direitos autorais se apresentam como uma das questões mais importantes desse boom na cultura. Em rede, a produção cultural está sendo catalisada. Pessoas tem muito mais possibilidades. O crescimento dessa rede é rizomático, distribuído e veloz. Não é organizado. Mas quem disse que seria organizado?

O creative commons tenta dar uma organizada no caos. Não atende quem quer explorar aquilo que acreditamos ser nosso direito. Eu quero poder remixar idéias livremente. De certa forma, a academia deveria fazer isso. Citar a fonte bastaria. Usar idéias de outros. Construir um quadro teórico. Criar sentido. Isso é a cultura hacker, né? Como usar o dispositivo para outras áreas do conhecimento?

O MetaReciclagem é uma forma de tratar a apropriação da tecnologia. É um dispositivo que dá visibilidade da articulação em rede para a transformação social. A conversação se dá no nível do agenciamento. Enquanto o creative commons tenta fazer o meio de campo com o passado proprietário, o Metareciclagem parte para a ação. De certa forma, a cultura hacker responde ao passado proprietário com uma produção que tende ao infinitesimal (in)finito. Essa produção é em grande parte copyleft. Será que precisaremos mais 10 anos para entender o resultado? Precisamos de pesquisas? Ou, é a tendência inexorável?

Pois é, dominar o mundo é fácil. Difícil é fazer o relatório... hehehe

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