Olhos dentro de ti
Rede só existe na relação. Uma rede de si mesmo é algo que só pode ser compreendido quando entendemos que não somos um indivíduo. Um ser indivisível, uma coisa em si. Somos múltiplos. E, estes múltiplos se relacionam numa rede de crenças e desejos. Não é tão complicado entender isso. Mas quando o debate vai para a filosofia a questão se faz na ontologia. Quem somos? No tempo e no espaço. Note que não uso a ontologia da ciência da computação. Essa ontologia define apenas um modelo de dados que dá conta da categorização do conhecimento humano. Categorização que no entanto não explica nada. Apenas formata de maneira legível aquilo que é deveras incompreendido. Na filosofia, a ontologia nos remete a metafísica. Ou seja, a preocupação da nossa existência. Nossa cultura metafísica está baseada na divisão do mundo em discretos objetos. Uma metafísica baseada na conteneirização, na categorização e na hierarquia. Mas isso não reflete a experiência humana. Principalmente, não reflete a nossa experiência hiperconectada. Pensar na ruptura desses containers inaugura as possibilidades de enxergar o mundo diferentemente. Pois, rompendo as categorias nos resta o caos. Porque, então, voltar para o sistema?










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