Techies e gambiarras

O cyberpunk Willian Gibson diz que "A rua encontra seus próprios usos para as coisas". A apropriação está no uso das tecnologias. E, enxergo essa apropriação como um atalho para o futuro das conversações. Pois, sob o ponto de vista das redes, o foco não está nas máquinas. A revolução está nas pessoas e o que elas fazem com as máquinas.

É exatamente na gambiarra que faço uma interpolação no âmbito da tecnologia. Por exemplo: estou montando em casa uma proto-estrutura para os meus estudos de doutorado. Ganhei, por empréstimo, uma HP, impressora com scanner, xerox e outros quitutes techies. Fiquei feliz. Afinal essa tríade me dá condições para trabalhar intensamente na tese.

O scanner somado ao um OCR potencializa as possibilidades de citações. A tecnologia trouxe ao mundo acadêmico alguns facilitadores que fazem da relação sádica, um mamãozinho com açúcar. Mas que surpresa!!! Esqueci que meu notebook está equipado com um Ubuntu. A HP não funciona sem uma camada de esforço, pesquisa e gambiarra. Estou, nesse momento, na fase do esforço para configurar a resolução na captação da imagem do scanner.

Mas essa proposta de apropriação parece que é recorrente na minha vida. Minhas ferramentas digitais não funcionam como deveriam. Comprei um Nokia E65 faz uns 6 meses. Já atualizei o software, desenvolvi algumas gambis para aumentar o contato da bateria e do cartão de memória SIM. No entanto, o aparelho se comporta muito mal. Liga e desliga "n" vezes ao dia. Acho que é um probleminha no contato com a tela, mas é um achômetro que pode ser facilmente corrigido pela assistência técnica. Porém, não tenho tempo para levar o aparelho. Prefiro sobreviver às desmedidas do gap na tecnologia que pressupõe ação. Ou seja, é melhor conviver com intermitência da techie.

Eu acho que as tecnologias não precisam funcionar sempre e que conviver com a gambiarra me faz mais humano.

# publicado originalmente no diplo

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