inteligência colaborativa
Hoje não pensamos o virtual, é o virtual que nos pensa. E essa transparência imperceptível que nos separa definitivamente do real nos é tão incompreensível quanto pode sê-lo para a mosca o vidro contra o qual ela se choca sem compreender o que a separa do mundo exterior. A mosca nem sequer imagina o que põe fim a seu espaço. Do mesmo modo, nem sequer imaginamos o quanto o virtual já transformou, como por antecipação, todas as representações que temos do mundo.
-- Jean Baudrillard
Estive ontem numa reunião de trabalho do LinC, com a presença do Michel - árvore do conhecimento - Authier. Fui apresentar o projeto do Parque Digital. Após uma breve explanação, Michel Authier fez algumas colocações pertinentes. Outras nem tanto.
Ele distingue a inteligência coletiva de uma sociedade em rede. Entendo que, de certa forma, existe bastante coêrencia nessa posição. Ele se estende diferenciando, também, trabalho coletivo e colaboração. Ele diz que só não há colaboração na preguiça. E o trabalho coletivo acontece quando há interesse comum e participação do coletivo. Mas acho que Authier não tem muita experiência no que tange a projetos desenvolvidos na rede. Mesmo porque suas referências do movimento do software livre são negativas. Assim, ele acaba não enxergando todas as nuances do aprendizado tranversal fruto do efeito colaborativo. vemos isso acontecer nas listas, nos blogs e em qualquer tipo de comunidade online. De uma sociedade emergente.
A ruptura dos containers do tempo e espaço, ou a descontaineirização da metafísica padrão nos leva a entender a internet como um novo lugar. Um ambiente diferente. Internet não é apenas uma nova mídia, um canal de comunicação. Existe vida inteligente por trás do monitor colorido. E esse novo lugar é propício para as conversações.
Assim, não consigo desvincular a inteligência coletiva da catalisação dessas inteligências através da internet. Pois, por trás de cada computador temos um ser humano de verdade buscando uma nova forma de aprender e ensinar.
Authier fez uma colocação bastante inoportuna: 'isso é verdade para quem acredita que seja verdade'; Eu acrescentei que é errado para quem pensa que é errado.
Pois acho totalmente equivocada a negação do movimento do software livre pela inteligentzia francesa. Pierre Levy também não dá os devidos créditos ao "Catedral e ao Bazar". Entender o software livre pelo lado mítico reduz toda essa revolução a uma horda de idiotas que acreditam no impossível. Está na hora de repensar as possibilidades do modelo capitalista. E compreender que é possível pensar diferente.
O círculo quadrado é a imagem do inimaginável. A Web é o círculo quadrado. Um quebra cabeça desmontado. Partes jogadas, desmontadas. Um pedaço do céu... uma montanha... um avião passando. Juntar todas estas imagens para criar um novo desenho. Montando uma nova realidade. Na Web fazemos bricolage. Desmantelamos o conhecimento em partes desconexas. E recriamos com uma forma particular. Cada um faz o seu próprio mundo.
Penso que este conceito faz sentido. Heidegger privilegia o futuro, porque é esta projeção para o advir e o golpe da devolução no embate com a morte que lá está que o leva a pensar e à autoconscientização. O homem pode então introduzir esse conhecimento existencial no projeto de sua vida, e assim se apropriar da existência fazendo-a efetivamente sua, tornando-se autêntico, não mais um ente sem raízes.
Minha verdade não é real. É apenas a minha verdade. E serve apenas como princípio de um debate com as outras verdades. Temos que aprender a olhar o mundo sob o enfoque do outro. Para não cair nos casuísmos, nos cliches e na babaquice cotidiana. Afinal, a experiência virtual é pessoal. Depende da vontade do interlocutor de escovar mercados. Brincar de levar nossos desejos a sério. E com essa seriedade encaro a rede como um consciente coletivo que funciona com regras diferentes das idiossincrasias convencionais. Não faz sentido tentar particionar a vida em containers do saber. Prefiro tentar enxergar o todo. Não apenas a árvore.
Apesar dessas discordâncias fundamentais, Authier se mostra lúcido ao fugir do discurso do saber totalitário. Ele coloca muito bem que nossos vieses seriam muito mais aproveitáveis se utilizassemos saberes diferentes para uma finalidade coletiva. Somar sempre é melhor.
-- Jean Baudrillard
Estive ontem numa reunião de trabalho do LinC, com a presença do Michel - árvore do conhecimento - Authier. Fui apresentar o projeto do Parque Digital. Após uma breve explanação, Michel Authier fez algumas colocações pertinentes. Outras nem tanto.
Ele distingue a inteligência coletiva de uma sociedade em rede. Entendo que, de certa forma, existe bastante coêrencia nessa posição. Ele se estende diferenciando, também, trabalho coletivo e colaboração. Ele diz que só não há colaboração na preguiça. E o trabalho coletivo acontece quando há interesse comum e participação do coletivo. Mas acho que Authier não tem muita experiência no que tange a projetos desenvolvidos na rede. Mesmo porque suas referências do movimento do software livre são negativas. Assim, ele acaba não enxergando todas as nuances do aprendizado tranversal fruto do efeito colaborativo. vemos isso acontecer nas listas, nos blogs e em qualquer tipo de comunidade online. De uma sociedade emergente.
A ruptura dos containers do tempo e espaço, ou a descontaineirização da metafísica padrão nos leva a entender a internet como um novo lugar. Um ambiente diferente. Internet não é apenas uma nova mídia, um canal de comunicação. Existe vida inteligente por trás do monitor colorido. E esse novo lugar é propício para as conversações.
Assim, não consigo desvincular a inteligência coletiva da catalisação dessas inteligências através da internet. Pois, por trás de cada computador temos um ser humano de verdade buscando uma nova forma de aprender e ensinar.
Authier fez uma colocação bastante inoportuna: 'isso é verdade para quem acredita que seja verdade'; Eu acrescentei que é errado para quem pensa que é errado.
Pois acho totalmente equivocada a negação do movimento do software livre pela inteligentzia francesa. Pierre Levy também não dá os devidos créditos ao "Catedral e ao Bazar". Entender o software livre pelo lado mítico reduz toda essa revolução a uma horda de idiotas que acreditam no impossível. Está na hora de repensar as possibilidades do modelo capitalista. E compreender que é possível pensar diferente.
O círculo quadrado é a imagem do inimaginável. A Web é o círculo quadrado. Um quebra cabeça desmontado. Partes jogadas, desmontadas. Um pedaço do céu... uma montanha... um avião passando. Juntar todas estas imagens para criar um novo desenho. Montando uma nova realidade. Na Web fazemos bricolage. Desmantelamos o conhecimento em partes desconexas. E recriamos com uma forma particular. Cada um faz o seu próprio mundo.
Penso que este conceito faz sentido. Heidegger privilegia o futuro, porque é esta projeção para o advir e o golpe da devolução no embate com a morte que lá está que o leva a pensar e à autoconscientização. O homem pode então introduzir esse conhecimento existencial no projeto de sua vida, e assim se apropriar da existência fazendo-a efetivamente sua, tornando-se autêntico, não mais um ente sem raízes.
Minha verdade não é real. É apenas a minha verdade. E serve apenas como princípio de um debate com as outras verdades. Temos que aprender a olhar o mundo sob o enfoque do outro. Para não cair nos casuísmos, nos cliches e na babaquice cotidiana. Afinal, a experiência virtual é pessoal. Depende da vontade do interlocutor de escovar mercados. Brincar de levar nossos desejos a sério. E com essa seriedade encaro a rede como um consciente coletivo que funciona com regras diferentes das idiossincrasias convencionais. Não faz sentido tentar particionar a vida em containers do saber. Prefiro tentar enxergar o todo. Não apenas a árvore.
Apesar dessas discordâncias fundamentais, Authier se mostra lúcido ao fugir do discurso do saber totalitário. Ele coloca muito bem que nossos vieses seriam muito mais aproveitáveis se utilizassemos saberes diferentes para uma finalidade coletiva. Somar sempre é melhor.










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