Do pedantismo hacker à liberdade dos controles

Ontem recebi um artigo do Augusto de Franco. Um cara que fala de redes sociais. Não dessas redes que se formam na Internet. Ele fala do velho. De redes que se estabeleceram num passado desconectado. Das ongs, dos movimentos sociais apadrinhados. Ele diz que o hackerismo e a luta pelo software livre não podem nos salvar da sociedade do controle. Well done! Qual seria, portando, a sugestão?

Não deveria me preocupar muito com esse artigo. Mas duas características me levam a critica- lo. 1. Augusto de Franco é um cara influente. Criou a Escola de Redes e tem feito a cabeça de incautos; e 2. Ele está equivocado. O cara tem uma visão utilitária
e controladora das redes. Isoladamente, nenhuma destas características atrapalham. Mas a somatória faz um estrago imensurável.

O suposto professor da Escola de Redes diz: 'Mas esse pessoal, que leu e recomenda Hakim Bey, não é capaz de ensaiar uma TAZ quando se trata da sua própria organização e da sua sobrevivência.' Bem, eu sou esse pessoal. Recomendo Hakim Bay por entender que a sua filosofia faz o link entre os impulsos revolucionários e a liberdade de ação. TAZ é a impermanência da própria existência. Redes sociais pressupõem ruptura, descontrução e aglutinação. Dizer que não é possível ensaiar uma TAZ é desconhecer a história digital.

Nós, os pedantes hackers, estamos construindo uma nova sociedade. Uma sociedade de piratas. Pense bem, grande parte de nossos jovens são considerados criminosos só por baixar umas musiquinhas da Internet. Da sociedade de controle temos apenas o aprisionamento de idéias.

A sociedade de controle e a liberdade sempre caminharam juntas. O caminho do controle é o mesmo do que aquele proposto pela liberdade. O paradoxo está em explorar as contradições do sistema. Pois, pela necessidade de enfrentar a escassez do capitalismo, o sistema procura aumentar a velocidade e a eficiência das relações. Os hackers abrem os espaços para a liberdade. Quem pegar, pegou!

Estamos participando de uma multidão que se alimenta destas contradições e, que encontra na rede um ambiente propício para expressar a sua potência. A multidão hiperconectada só se faz possível quando a apropriação tecnológica possibilita o compartilhamento de interesse comuns. As pessoas se aproximam. Criam e recriam comununidades. As pessoas se juntam, estão linkadas pela ação comum. Esse é o desvio.

Esse papo de sociedade do controle eh tão anos 60. Enquanto se discute controle, os jovens estão aprendendo e postando na Internet. Estão hackeando a rede por meio de diversos e múltiplos perfis no orkut, blogando, twittando, publicando videos no Youtube. quem é quem? afinal, quem vai dar conta disso tudo?

btw, entre as formigas, não se tem notícia de nenhum hacker. Tenho medo mesmo da tentativa de se falar de inteligência coletiva pelo viés dessas formigas. Porque elas fazem tudo, sem pensar. E, é sob o impulso do pensamento que a nossa sociedade deixará de ser uma grande pizza.

Comentários

só de ver o contexto já dá pra sacar qual é o tipo de rede. De Franco escreveu no site de Diego Casagrande um artigo defendendo Cezar Busatto.

http://www.diegocasagrande....

Diego Casagrande, entre outras coisas, é colaborador do Mídia sem Máscara, junto com o doce Olavo de Carvalho

http://www.midiasemmascara....

Busatto é esse aqui:

http://www.novacorja.org/?p...

Que depois de fritado de modo bem feio ainda teve a cara de pau de dizer que "esteva lá fazendo campanha" pro Obama, e agora tentar fazer carreira de palestrante com isso

http://www.vidademocratica....

Com uma rede dessas, não é de surpreender que ele tenha problemas em lidar com TAZes, contextos não-hierárquicos (ou de hierarquia cambiante) e o bom e velho raquerismo brazuca. Ele não vai entender. Ponto.

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